Módulo 7 — VPN: IPsec e SSL
Módulo 7 — VPN: IPsec e SSL
Objetivos de aprendizagem
- Explicar o papel do IPsec site-to-site no FortiGate e distinguir as fases IKE phase 1 e phase 2.
- Comparar IKEv1 e IKEv2, e túneis route-based vs policy-based.
- Configurar um túnel IPsec route-based com PSK, incluindo proposals, rotas e firewall policies.
- Aplicar mecanismos de robustez do túnel: DPD, NAT-T e keepalives.
- Configurar uma SSL-VPN de acesso remoto, distinguindo tunnel mode e web mode, portais e split tunneling.
- Diagnosticar túneis IPsec e sessões SSL-VPN com comandos
diagnosedo FortiOS 7.6.
Nota de atualidade (currency). Por questões de segurança, a Fortinet recomenda hoje preferir IPsec e ZTNA em vez de SSL-VPN em tunnel mode, sobretudo em hardware de baixo desempenho onde o suporte a SSL-VPN está a ser descontinuado. Mesmo assim, o exame FCP — FortiGate 7.6 Administrator ainda avalia SSL-VPN; por isso estudamos ambos. Em produção nova, dá prioridade a IPsec/ZTNA.
IPsec site-to-site: para que serve
Uma VPN IPsec site-to-site liga duas redes privadas (por exemplo, a sede e uma filial) através da Internet, cifrando todo o tráfego entre elas. No FortiGate, o túnel é negociado pelo protocolo IKE (Internet Key Exchange) em duas fases: a phase 1 estabelece um canal seguro de gestão entre os dois gateways; a phase 2 negocia as Security Associations (SA) que cifram o tráfego de dados real.
IKEv1 vs IKEv2
IKEv1 é o protocolo mais antigo: a phase 1 pode correr em main mode (6 mensagens, mais seguro) ou aggressive mode (3 mensagens, mais rápido mas expõe identidades). IKEv2 é o mais recente e recomendado: menos trocas de mensagens, suporte nativo a NAT traversal, EAP e re-keying mais eficiente, e melhor resiliência. Para túneis novos, escolhe IKEv2 sempre que ambos os lados o suportarem.
Route-based vs policy-based
No FortiOS, o modo recomendado é route-based (também chamado interface mode): cria-se uma interface virtual de túnel (ex.: to_branch) e o tráfego entra no túnel por routing — basta uma rota que aponte o destino remoto para a interface do túnel, mais firewall policies normais. É mais flexível: permite routing dinâmico (OSPF/BGP) sobre o túnel e múltiplas phase 2.
O modo policy-based (legacy) define o tráfego a cifrar dentro de uma firewall policy especial do tipo IPsec, sem interface dedicada. É menos flexível e está em desuso. No exame, assume route-based salvo indicação em contrário.
Configurar a phase 1 (route-based, IKEv2, PSK)
A phase 1 define o peer remoto, a versão do IKE, a chave pré-partilhada (PSK), os proposals (cifra + autenticação + grupo DH) e parâmetros de robustez como DPD e NAT-T. Numa interface-mode, o tipo é static (peer com IP fixo) ou dynamic (peer com IP variável, ex.: filial atrás de DSL).
config vpn ipsec phase1-interface
edit "to_branch"
set interface "wan1"
set ike-version 2
set peer-type any
set net-device disable
set proposal aes256-sha256 aes128-sha256
set dhgrp 14
set remote-gw 203.0.113.20
set psksecret SuperSegreda_2026!
set dpd on-idle
set dpd-retryinterval 60
set nattraversal enable
next
endNotas: proposal lista os algoritmos de cifra/hash; dhgrp 14 é o grupo Diffie-Hellman (2048 bits). DPD (Dead Peer Detection) deteta um peer morto e derruba o túnel para forçar renegociação — on-idle só sonda quando não há tráfego; on-demand sonda quando há tráfego de saída sem resposta. NAT-T (NAT Traversal) encapsula ESP em UDP/4500 para o túnel atravessar dispositivos NAT no caminho.
Configurar a phase 2
A phase 2 liga-se à phase 1 e define os selectors (src/dst subnets), os proposals de dados e o tempo de vida (keylife). Com PFS (Perfect Forward Secrecy) ativo, cada renegociação de chave usa um novo DH, isolando as chaves anteriores.
config vpn ipsec phase2-interface
edit "to_branch_p2"
set phase1name "to_branch"
set proposal aes256-sha256 aes128-sha256
set pfs enable
set dhgrp 14
set keylifeseconds 43200
set src-subnet 10.10.0.0 255.255.0.0
set dst-subnet 10.20.0.0 255.255.0.0
next
endRotas e firewall policies
Num túnel route-based, o túnel sozinho não encaminha tráfego: é preciso (1) uma rota estática que envie a sub-rede remota para a interface do túnel e (2) firewall policies bidirecionais entre a LAN local e a interface do túnel. Sem policies, o tráfego é negado mesmo com o túnel "up".
config router static
edit 0
set dst 10.20.0.0 255.255.0.0
set device "to_branch"
next
end
config firewall policy
edit 0
set name "LAN-to-Branch"
set srcintf "internal"
set dstintf "to_branch"
set srcaddr "LAN_local"
set dstaddr "Branch_subnet"
set action accept
set schedule "always"
set service "ALL"
next
endErro clássico de exame. O túnel está "up" mas não passa tráfego: na esmagadora maioria dos casos falta a rota estática para a sub-rede remota, ou faltam as firewall policies nos dois sentidos. Verifica também que os selectors da phase 2 (src/dst subnet) coincidem nos dois lados — selectors assimétricos impedem a SA de subir.
SSL-VPN de acesso remoto
A SSL-VPN dá a utilizadores individuais (teletrabalho) acesso à rede interna a partir de qualquer lugar, sobre HTTPS. Há dois modos:
- Web mode (portal): o utilizador entra num portal web no browser e acede a recursos pré-publicados (bookmarks RDP, SSH, ficheiros, web interno). Não instala cliente, mas o acesso é limitado às aplicações publicadas.
- Tunnel mode: usa o cliente FortiClient que cria um adaptador virtual e recebe um IP do pool da SSL-VPN; o tráfego flui como numa VPN completa. Mais flexível, suporta qualquer aplicação.
O split tunneling controla que tráfego vai pelo túnel: desativado (full tunnel) envia todo o tráfego do cliente pela VPN (mais seguro, mais carga no FortiGate); ativado envia pelo túnel só as sub-redes corporativas e deixa o resto sair localmente (Internet do utilizador), poupando largura de banda.
Configurar SSL-VPN (settings + portal)
config vpn ssl settings
set servercert "Fortinet_SSL"
set tunnel-ip-pools "SSLVPN_TUNNEL_ADDR1"
set port 10443
set source-interface "wan1"
set source-address "all"
set default-portal "full-access"
config authentication-rule
edit 1
set groups "SSLVPN_Users"
set portal "full-access"
next
end
end
config vpn ssl web portal
edit "full-access"
set tunnel-mode enable
set web-mode enable
set ip-pools "SSLVPN_TUNNEL_ADDR1"
set split-tunneling enable
set split-tunneling-routing-address "Corp_subnets"
next
endFalta ainda uma firewall policy da interface virtual ssl.root para a LAN interna, com o grupo de utilizadores como origem, para autorizar o acesso. Sem ela, o login tem sucesso mas o utilizador não chega aos recursos. A porta 10443 evita conflito com a gestão HTTPS na 443.
Diagnóstico
Para inspecionar túneis IPsec ativos (estado, selectors, bytes cifrados/decifrados):
diagnose vpn tunnel list
diagnose vpn tunnel list name to_branch
diagnose vpn ike gateway listPara ver as sessões SSL-VPN e os utilizadores ligados:
diagnose vpn ssl list
diagnose vpn ssl statistics
get vpn ssl monitorEm diagnose vpn tunnel list, confirma que existem SAs de phase 2 e que os contadores de tráfego aumentam nos dois sentidos. Se vês a SA mas só sobe num sentido, suspeita de policy/rota em falta no lado oposto. Em diagnose vpn ssl list vês o utilizador, o IP atribuído do pool e o modo (web/tunnel).
Resumo. IPsec site-to-site: phase 1 (canal de gestão IKE) + phase 2 (SAs de dados); prefere route-based + IKEv2 + PSK, e não esqueças rota estática + policies. SSL-VPN: tunnel mode (FortiClient, IP do pool) vs web mode (portal), com split tunneling a decidir o que entra no túnel. Diagnostica com
diagnose vpn tunnel list e diagnose vpn ssl list.Labs associados
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