Curso Completo de Preparação para Certificação Fortinet FCP Network Security

Módulo 4 — Autenticação de Utilizadores e FSSO

Preparação FCP FortiGate 7.6: aulas + 10 labs práticos + exame final, com nota no certificado.

Módulo 4 — Autenticação de Utilizadores e FSSO



Objetivos de aprendizagem



  • Criar e gerir utilizadores locais e grupos no FortiGate.

  • Integrar servidores de autenticação remotos LDAP e RADIUS.

  • Aplicar autenticação em firewall policies, distinguindo autenticação ativa e passiva.

  • Configurar um captive portal com disclaimer para acesso à rede.

  • Compreender a arquitetura FSSO (Collector Agent, DC Agent e polling) e onde cada modo se aplica.

  • Introduzir o two-factor authentication com FortiToken.



A autenticação é o segundo pilar do domínio Firewall & Authentication do exame FCP — FortiGate 7.6 Administrator. Não basta filtrar tráfego por endereço IP: muitas políticas precisam de saber quem é o utilizador por detrás do pacote. O FortiOS 7.6 permite identificar utilizadores localmente, contra diretórios externos, ou de forma transparente através do FSSO (Fortinet Single Sign-On).



Utilizadores locais e grupos



Um utilizador local é definido e armazenado no próprio FortiGate. É a forma mais simples de autenticação, adequada a ambientes pequenos ou a contas de exceção (por exemplo, um técnico externo). O utilizador pode ter palavra-passe local ou apontar para um servidor remoto. Depois de criados, os utilizadores agrupam-se em user groups — e é o grupo, não o utilizador isolado, que normalmente se referencia numa firewall policy.



config user local
edit "joao.silva"
set type password
set passwd-time 2026-06-20
set passwd "P@ssw0rd-Forte"
set status enable
next
end

config user group
edit "Grupo-Comercial"
set group-type firewall
set member "joao.silva"
next
end



Boa prática: referencie sempre grupos nas firewall policies, nunca utilizadores individuais. Adicionar ou remover acesso passa a ser uma simples alteração de pertença ao grupo, sem mexer nas políticas.




Servidores remotos: LDAP e RADIUS



Em ambientes reais, manter utilizadores no FortiGate não escala. O FortiGate delega então a verificação de credenciais a um servidor externo. Os dois mais comuns são LDAP (tipicamente Active Directory) e RADIUS.



No LDAP, o FortiGate liga-se ao diretório, localiza a conta e valida a palavra-passe. O parâmetro chave é o dn (Distinguished Name) onde começa a pesquisa, e o cnid/username usados na ligação de serviço.



config user ldap
edit "AD-Lisboa"
set server "10.10.0.10"
set cnid "sAMAccountName"
set dn "dc=empresa,dc=local"
set type regular
set username "cn=ondaka-bind,cn=users,dc=empresa,dc=local"
set password "BindSecret123"
set secure ldaps
set port 636
next
end


O RADIUS é frequente para integração com NPS da Microsoft, FortiAuthenticator ou para o servidor que valida tokens MFA. O segredo partilhado (secret) tem de coincidir exatamente entre o FortiGate e o servidor RADIUS.



config user radius
edit "RADIUS-Corp"
set server "10.10.0.20"
set secret "SegredoPartilhado!"
set auth-type auto
set nas-ip 10.10.0.1
next
end


Tanto servidores LDAP como RADIUS podem ser colocados dentro de um user group, fazendo com que qualquer conta válida nesse servidor seja aceite, ou pode mapear-se um grupo específico do diretório através de match.



config user group
edit "Acesso-VPN"
set member "AD-Lisboa"
config match
edit 1
set server-name "AD-Lisboa"
set group-name "CN=VPN-Users,OU=Grupos,DC=empresa,DC=local"
next
end
next
end


Autenticação em firewall policies



Uma firewall policy só exige autenticação se tiver um ou mais grupos definidos no campo groups. Quando o tráfego corresponde a uma política com grupos, o FortiGate verifica se o utilizador já está autenticado; se não estiver, dispara o mecanismo de autenticação.



config firewall policy
edit 12
set name "Comercial-para-Internet"
set srcintf "internal"
set dstintf "wan1"
set srcaddr "all"
set dstaddr "all"
set action accept
set schedule "always"
set service "HTTP" "HTTPS" "DNS"
set groups "Grupo-Comercial"
set nat enable
next
end


Autenticação ativa vs passiva



Esta distinção é classicamente testada no exame:



  • Ativa: o FortiGate pede explicitamente as credenciais ao utilizador — através de um prompt do browser, de um captive portal ou do cliente VPN. O utilizador sabe que se está a autenticar.

  • Passiva: a identidade é obtida de forma transparente, sem qualquer prompt. O caso típico é o FSSO: o utilizador já fez login no domínio Windows, e o FortiGate aproveita essa sessão.




Regra prática: FSSO = autenticação passiva (single sign-on). Captive portal e prompts de credenciais = autenticação ativa.




Captive portal e disclaimers



O captive portal intercepta a primeira ligação HTTP/HTTPS e apresenta uma página de autenticação (ou apenas um disclaimer de aceitação de uso). Ativa-se ao nível da interface ou da própria política. O auth-portal-timeout e o esquema de autenticação controlam o comportamento.



config firewall policy
edit 13
set name "Convidados-Captive"
set srcintf "guest-wifi"
set dstintf "wan1"
set srcaddr "all"
set dstaddr "all"
set action accept
set schedule "always"
set service "ALL"
set groups "Grupo-Convidados"
set disclaimer enable
set nat enable
next
end


Com set disclaimer enable, o utilizador tem de aceitar os termos de uso antes de o tráfego ser libertado — útil por razões legais e de conformidade. O disclaimer pode combinar-se com autenticação ou usar-se isolado (aceitação sem credenciais).



FSSO — Fortinet Single Sign-On



O FSSO permite que o FortiGate conheça a identidade do utilizador sem qualquer prompt, lendo os eventos de login do Active Directory. Existem três abordagens:



  • Collector Agent (CA): serviço instalado num servidor Windows que recolhe os eventos de login e os reenvia ao FortiGate. É o componente central.

  • DC Agent mode: instala-se um agente em cada Domain Controller; o DC Agent capta o login no momento exato e informa o Collector Agent. Modo mais escalável e fiável em grandes domínios.

  • Polling mode: o Collector Agent (ou o próprio FortiGate, em agentless polling) consulta periodicamente os logs de segurança dos DCs. Não exige agente nos DCs, mas tem maior latência e carga.



No FortiGate define-se a ligação ao Collector Agent e mapeiam-se os grupos do AD a usar nas políticas.



config user fsso
edit "FSSO-CA-Lisboa"
set server "10.10.0.10"
set port 8000
set password "FSSOsecret"
next
end

config user group
edit "FSSO-Financeiro"
set group-type fsso-service
set member "CN=Financeiro,OU=Grupos,DC=empresa,DC=local"
next
end


Para diagnosticar, o comando essencial lista as sessões de utilizador que o FortiGate recebeu do FSSO — confirma se os logins estão a ser propagados:



diagnose debug authd fsso list


A saída mostra cada utilizador, o IP de origem, os grupos AD associados e a workstation. Se um utilizador autenticado não aparecer aqui, o problema está na cadeia FSSO (agente, polling ou ligação ao Collector), não na firewall policy.



Two-factor com FortiToken (introdução)



Para reforçar contas sensíveis, o FortiOS suporta MFA via FortiToken — token de hardware ou o FortiToken Mobile (aplicação que gera códigos OTP). Depois de o token estar registado e atribuído, ativa-se o segundo fator no utilizador, que passa a precisar da palavra-passe e do código de 6 dígitos.



config user local
edit "joao.silva"
set two-factor fortitoken
set fortitoken "FTKMOB1234567890"
set email-to "joao.silva@empresa.local"
next
end



Nota: o FortiGate inclui duas licenças de teste de FortiToken Mobile. Em produção, os tokens adquirem-se separadamente e ativam-se contra o FortiGuard. O 2FA aplica-se a admins, VPN e a qualquer login que passe por autenticação ativa.




Resumo


A autenticação no FortiGate vai do simples utilizador local até integrações empresariais com LDAP/RADIUS e single sign-on transparente via FSSO. Domine a diferença entre autenticação ativa e passiva, saiba que as firewall policies só autenticam quando têm grupos, e reconheça os três modos de FSSO — são pontos recorrentes no exame FCP.



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