Módulo 2 — Implementação e Configuração de Sistema
Módulo 2 — Implementação e Configuração de Sistema
Este módulo cobre o domínio Deployment & System Configuration, o de maior peso no exame FCP — FortiGate 7.6 Administrator (~30%). É aqui que se ganham mais pontos: dominar a configuração inicial do FortiGate, as interfaces, os modos de operação e os serviços de sistema é a base para tudo o resto (firewall policies, VPN, inspeção de conteúdo). Trabalhamos sobre FortiOS 7.6, tanto na GUI como na CLI.
Objetivos de aprendizagem
- Aceder ao FortiGate por GUI, CLI (SSH/Telnet) e consola, e completar a configuração inicial.
- Configurar interfaces, atribuir-lhes roles e organizar a segmentação por zonas.
- Distinguir os modos de operação NAT/Route e Transparent e saber quando usar cada um.
- Definir serviços de sistema: hostname, DNS, NTP e parâmetros de
system global. - Criar administradores e restringir privilégios com
accprofiles(RBAC). - Registar o dispositivo, ativar licenciamento e subscrições FortiGuard.
- Interpretar os dashboards e o FortiView para monitorização.
1. Acesso inicial: GUI, CLI e consola
De fábrica, a porta de gestão (tipicamente port1 ou mgmt) tem o IP 192.168.1.99/24, com HTTPS e SSH ativos. Liga-se um portátil à mesma rede e acede-se à GUI em https://192.168.1.99. As credenciais por defeito são utilizador admin sem palavra-passe — o FortiOS 7.6 obriga a definir uma palavra-passe forte no primeiro login.
Há três vias de administração:
- GUI (web): HTTPS, ideal para configuração visual, dashboards e FortiView.
- CLI: via SSH, ou diretamente na própria GUI através do CLI Console. É onde está o controlo total e a granularidade fina.
- Consola: porta série (RJ-45/USB) — o acesso de recurso quando se perde a rede ou para recuperação.
A CLI organiza-se em árvore: comandos config entram num contexto, edit seleciona um objeto, set define valores, next guarda o objeto e end sai do contexto.
2. Interfaces e zonas
Cada interface física ou lógica tem um role (LAN, WAN, DMZ ou Undefined) que apenas ajusta os valores por defeito apresentados na GUI; tecnicamente, o que importa é o endereçamento e os serviços allowaccess permitidos. Os tipos de acesso administrativo (ping, https, ssh, fgfm, snmp) controlam o que pode tocar a interface.
config system interface
edit "port1"
set alias "LAN-Interna"
set role lan
set mode static
set ip 10.10.10.1 255.255.255.0
set allowaccess ping https ssh fgfm
next
edit "port2"
set alias "WAN-ISP"
set role wan
set mode dhcp
set allowaccess ping
next
endAs zonas agrupam várias interfaces sob um único nome lógico, simplificando as firewall policies — em vez de criar regras para cada interface, escreve-se uma só para a zona. Por defeito, o tráfego entre interfaces da mesma zona é bloqueado, a menos que se ative intrazone allow.
config system zone
edit "DMZ"
set interface "port3" "port4"
set intrazone deny
next
endDica de exame: uma interface que já pertença a uma zona não pode ser usada diretamente numa firewall policy — tem de se referir a zona. E uma interface não pode estar em duas zonas ao mesmo tempo.
3. Modos de operação: NAT/Route vs Transparent
O FortiGate opera em um de dois modos (definido por VDOM):
- NAT/Route (modo por defeito): o FortiGate atua como um router de Camada 3. Cada interface tem o seu IP, faz routing entre sub-redes e tipicamente aplica NAT no tráfego de saída. É o modo usado na esmagadora maioria das implementações como gateway de perímetro.
- Transparent: o FortiGate comporta-se como uma bridge de Camada 2 ("bump in the wire"). As interfaces não têm IP próprio de routing; todo o equipamento partilha um único Management IP de gestão. Usa-se para inserir um firewall numa rede existente sem alterar o esquema de endereçamento nem o gateway dos hosts.
config system settings
set opmode transparent
set manageip 10.10.10.50 255.255.255.0
set gateway 10.10.10.254
endAtenção: mudar de modo apaga grande parte da configuração relacionada (interfaces L3, policies). Confirma o modo atual com
get system status antes de decidir.4. Serviços de sistema: hostname, DNS, NTP e system global
Definir o hostname facilita a identificação em fleets geridas por FortiManager. O DNS é essencial para FortiGuard, atualizações e resolução em políticas baseadas em FQDN. O NTP garante a sincronização horária — crítica para logs, certificados e VPN.
config system global
set hostname "FGT-Sede-Luanda"
set timezone 33
set admin-sport 8443
set admintimeout 15
set gui-theme jade
end
config system dns
set primary 8.8.8.8
set secondary 1.1.1.1
end
config system ntp
set ntpsync enable
set type custom
set syncinterval 60
config ntpserver
edit 1
set server "pool.ntp.org"
next
end
endEm system global ficam parâmetros transversais como a porta HTTPS de gestão (admin-sport), o timeout de inatividade da sessão admin (admintimeout) e o fuso horário.
5. Administradores e accprofiles (RBAC)
O acesso administrativo deve seguir o princípio do menor privilégio. Um accprofile define que secções o admin pode ver e com que permissão (none, read ou read-write). O perfil super_admin tem controlo total e não deve ser distribuído.
config system accprofile
edit "operador-readonly"
set fwgrp read
set loggrp read
set sysgrp read
set netgrp read
next
end
config system admin
edit "joao.tecnico"
set accprofile "operador-readonly"
set vdom "root"
set trusthost1 10.10.10.0 255.255.255.0
set password ENC_AQUI
next
endO campo trusthost restringe a origem das ligações administrativas — uma das melhores práticas de segurança mais cobradas no exame. Sem trusthosts, o admin pode ligar-se de qualquer rede que tenha allowaccess ativo.
6. Registo, licenciamento e FortiGuard
Após a configuração base, o FortiGate deve ser registado no FortiCloud para validar a garantia e ativar as subscrições. As subscrições FortiGuard alimentam os serviços de inspeção: AntiVirus, IPS, Web Filtering, Application Control, Anti-Spam e DNS Filter. Sem subscrição válida, esses motores não recebem assinaturas atualizadas.
config system fortiguard
set protocol https
set port 443
set fortiguard-anycast enable
set update-server-location any
set antispam-cache enable
set webfilter-cache enable
endVerificação de estado e licenças via CLI:
FGT-Sede-Luanda # get system status
Version: FortiGate-VM64 v7.6.0,build3401,...
Serial-Number: FGVMxxxxxxxxxxxx
Operation Mode: NAT
Current HA mode: standalone
System time: Sat Jun 20 14:32:10 2026
FGT-Sede-Luanda # diagnose autoupdate versions
AV Engine: contract valid
IPS Definitions: contract valid
Web Filtering: contract validBoa prática: usa
fortiguard-anycast enable (já o defeito no 7.6) para o FortiGate ligar ao servidor FortiGuard mais próximo automaticamente, reduzindo latência das consultas de filtragem.7. Dashboards e FortiView
A GUI do FortiOS 7.6 oferece dashboards personalizáveis (widgets de System Information, Licenses, Security Fabric, CPU/Memória, Sessions) e o FortiView, uma ferramenta de visualização de tráfego em tempo real e histórico. O FortiView mostra Sources, Destinations, Applications, Policies e Threats, permitindo fazer drill-down de um host até à sessão individual.
Importante: o FortiView depende de logging ativo. Para dados históricos é preciso uma fonte de logs (disco local, FortiAnalyzer ou FortiCloud). Sem logging, o FortiView só apresenta tráfego em tempo real.
Resumo
- O acesso faz-se por GUI, CLI e consola; a CLI dá controlo total em árvore
config/edit/set/next/end. - Interfaces têm roles e
allowaccess; as zonas agrupam interfaces para simplificar policies. - NAT/Route = router L3 (defeito); Transparent = bridge L2 com um Management IP.
- Hostname, DNS e NTP são serviços-base;
system globalguarda os parâmetros transversais. - Menor privilégio via
accprofile+trusthost; nunca distribuirsuper_admin. - Registar no FortiCloud e manter subscrições FortiGuard válidas para a inspeção de conteúdo funcionar.
Labs associados
Pratica a implementação inicial do FortiGate (acesso, interfaces, modo de operação, serviços de sistema e administradores):
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Pratica o registo, licenciamento e configuração FortiGuard, e a verificação de estado das subscrições:
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